Tabela de Traço de Concreto por Resistência (fck) e Tipo de Cimento

Escolha o tipo de cimento e a resistência desejada (fck) e receba o traço técnico recomendado, o consumo de materiais por m³ e a receita por saco de 50 kg, com base em estudos de dosagem de concreto.

Cimento composto com escória. No estudo teve o menor consumo de cimento por m³ para cada resistência, por interagir melhor com o aditivo.

Método IPT/EPUSP, brita 1 de basalto, abatimento em torno de 17 cm, aditivo plastificante a 1,5% da massa de cimento.

Fonte: Barboza & Bastos - UNESP, Bauru · Agregado graúdo: Brita 1 (basalto) · Abatimento ~17 cm · Plastificante (1,5% do cimento)

Traço em massa

1 : 2,85 : 2,90

cimento : areia : brita 1 (em massa)

Traço em volume

1 : 1,96 : 1,83

cimento : areia : brita 1 (em volume)

Relação água/cimento

0,58

litros de água por kg de cimento

Consumo por m³ de concreto

Cimento
317 kg
6,3 sacos
Areia
903 kg
Brita 1
920 kg
Água
184 L
Aditivo
4,8 kg
Plastificante

Receita para 1 saco de cimento (50 kg)

Areia
5,5 latas
98 L · 142 kg
Brita 1
5,1 latas
91 L · 145 kg
Água
29,0 L
Aditivo
636 ml
plastificante

Resistência de dosagem nas idades (MPa)

3 dias
10
MPa
7 dias
16
MPa
28 dias
30
MPa

São resistências de dosagem (fcm). A resistência característica de projeto (fck) é menor: fck = fcm − 1,65 × desvio-padrão (NBR 12655).

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O que é o traço de concreto e por que ele define a resistência

O traço é a proporção entre cimento, areia e brita, geralmente escrita como 1 : areia : brita para cada parte de cimento, acompanhada da relação água/cimento. É essa proporção que determina a resistência à compressão, a trabalhabilidade e a durabilidade do concreto. Traços antigos de tabela combinavam brita 1 e 2 e não atendem mais às relações água/cimento máximas exigidas pela NBR 6118 em função da classe de agressividade ambiental.

Método de dosagem IPT/EPUSP e o estudo da UNESP/Bauru

Os traços desta ferramenta vêm do trabalho de Barboza e Bastos (UNESP, Faculdade de Engenharia de Bauru), que aplicaram o método de dosagem experimental IPT/EPUSP para construir Diagramas de Dosagem com três cimentos e brita 1. A partir das curvas ajustadas foram definidos 24 traços, com abatimento em torno de 17 cm e resistências de dosagem entre 15 e 50 MPa, usando aditivo plastificante a 1,5% da massa de cimento.

Diferença entre CP II-E-32, CP V-ARI e CP II-F-32 no consumo de cimento

Para uma mesma resistência, o tipo de cimento muda o consumo de material. No estudo, o CP II-E-32 (com escória) teve o menor consumo de cimento por m³, porque interagiu melhor com o aditivo e permitiu relações água/cimento menores. O CP II-F-32 (com fíler) teve o maior consumo, e o CP V-ARI ficou no meio, com a vantagem de altíssima resistência inicial, ganhando cerca de 35% da resistência já com 1 dia.

Cimentos pozolânicos CP IV e CP II-Z: dados de outra fonte

Como o estudo da UNESP cobre só três cimentos e brita 1, a ferramenta traz também o CP IV (pozolânico) e o CP II-Z a partir de um segundo estudo (Corrêa et al., UFPA, 2022), feito com seixo, superplastificante e abatimento de 10 cm, na faixa de 20 a 30 MPa. Como as condições e os agregados são diferentes, esses traços são apresentados em massa (kg), com a sua própria referência, e não devem ser misturados com os da fonte principal sem critério técnico.

Relação água/cimento: o fator que mais pesa na resistência

A relação água/cimento (a/c) é a razão entre a massa de água e a de cimento. Quanto menor o a/c, mais resistente e durável o concreto, e é por isso que os traços de 50 MPa têm a/c em torno de 0,40 a 0,45, enquanto os de 15 MPa chegam a 0,85 a 0,90. Como a areia da obra costuma estar úmida, a água de amassamento deve ser reduzida, colocando apenas o necessário para obter um abatimento próximo de 17 cm.

Resistência de dosagem (fcm) versus resistência característica (fck)

As resistências das tabelas são de dosagem (fcm), ou seja, a média esperada dos corpos de prova. A resistência característica de projeto (fck) é menor e se obtém por fck = fcm − 1,65 × desvio-padrão, adotando o desvio conforme as condições de preparo definidas na NBR 12655. Betoneiras pequenas cheias em plena carga e mistura malfeita resultam em resistências menores que as tabeladas.

Como reproduzir o traço no canteiro com lata de 18 litros

A receita por saco de 50 kg de cimento é a forma prática de dosar sem balança: mede-se a areia e a brita em latas de 18 litros e a água em litros. Os traços apresentados são sugestões de proporcionamento inicial, e o profissional deve fazer testes com os materiais da própria região, em especial a areia, o cimento e a interação com o aditivo, corrigindo o necessário para atingir o abatimento e a resistência esperados.

Como usar esta ferramenta

  1. Escolha o tipo de cimento: CP II-E-32, CP V-ARI ou CP II-F-32.
  2. Escolha a resistência desejada aos 28 dias (fck), de 15 a 50 MPa.
  3. Informe o volume de concreto em m³ (padrão 1) para escalar as quantidades.
  4. Veja o traço em massa e em volume, o consumo por m³ e a receita por saco de 50 kg.

Perguntas Frequentes (FAQ)

De onde vêm os traços desta tabela?
Os cimentos CP II-E-32, CP V-ARI e CP II-F-32 vêm do estudo de Barboza e Bastos (UNESP/Bauru), com dosagem IPT/EPUSP, brita 1 e aditivo plastificante (15 a 50 MPa). Os cimentos CP IV e CP II-Z vêm de outro estudo (Corrêa et al., UFPA, 2022), feito com seixo e superplastificante, na faixa de 20 a 30 MPa. Cada cimento mostra a sua fonte e condições.
Por que o CP IV e o CP II-Z têm menos dados?
Porque vêm de outra fonte, com condições diferentes (agregado seixo, abatimento de 10 cm, superplastificante) e faixa de 20 a 30 MPa. Como o estudo não publicou a massa unitária dos agregados nem as idades, mostramos as quantidades em massa (kg), sem receita em latas nem resistência por idade. Não misture números de fontes diferentes sem critério.
Qual a diferença entre os tipos de cimento?
No estudo da UNESP, o CP II-E-32 (com escória) teve o menor consumo de cimento por m³; o CP V-ARI é de alta resistência inicial e endurece rápido; o CP II-F-32 (com fíler) exigiu o maior consumo. Já o CP IV (pozolânico) tem baixo calor de hidratação, bom para grandes concretagens, e o CP II-Z também leva pozolana.
A resistência da tabela é o fck de projeto?
Não exatamente. Os valores são resistências de dosagem (fcm), a média esperada. A resistência característica de projeto (fck) é menor e se obtém por fck = fcm − 1,65 × desvio-padrão, conforme a NBR 12655. Escolha o fck alvo e trate a coluna como a dosagem necessária para atingi-lo.
O que é a relação água/cimento (a/c)?
É a razão entre a massa de água e a massa de cimento da mistura. Quanto menor o a/c, maior a resistência e a durabilidade do concreto. Por isso os traços mais fortes têm a/c menor. Se a areia estiver úmida, reduza a água até obter um abatimento próximo de 17 cm.
Como uso a receita por saco de 50 kg na obra?
Para cada saco de cimento, meça a areia e a brita em latas de 18 litros e a água em litros, conforme a receita. As latas são medidas com os materiais secos. É a forma mais prática de reproduzir o traço no canteiro sem balança, mantendo a proporção correta.
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